segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

-D.João V (personalidade histórica)



Filho de D. Pedro II e de Maria Sofia de Neubourg, foi aclamado rei em 1707. 
Quando inciou o reinado, estava-se em plena Guerra da Sucessão de Espanha, que para Portugal significava o perigo da ligação daquele país à grande potência continental que era a França. No entanto, a subida ao trono austríaco do imperador Carlos III, pretendente ao trono espanhol, facilitou a paz que foi assinada em Utreque, em 1714. Portugal viu reconhecida a sua soberania sobre as terras amazónicas e, no ano seguinte, a paz com a Espanha garantia‑nos a restituição da colónia do Sacramento. 
Aprendeu D. João V com esta guerra a não dar um apreço muito grande às questões europeias e à sinceridade dos acordos; daí em diante permaneceu inalteravelmente fiel aos seus interesses atlânticos, comerciais e políticos, reafirmando nesse sentido a aliança com a Inglaterra. Em relação ao Brasil, que foi sem dúvida a sua principal preocupação, tratou D. João V de canalizar para lá um considerável número de emigrantes, ampliou os quadros administrativos, militares e técnicos, reformou os impostos e ampliou a cultura do açúcar. Apesar disso, Portugal entra numa fase de dificuldades económicas, devidas ao contrabando do ouro do Brasil e às dificuldades do império do Oriente. 
A este estado de coisas procura o rei responder com o fomento industrial, mas outros problemas surgem, agora de carácter social: insubordinação de nobres, quebras de discipliana conventual, conflitos de trabalho, intensificação do ódio ao judeu. Por outro lado, o facto da máquina administrativa e política do absolutismo não estar de maneira nenhuma preparada para a complexidade crescente da vida da nação, só veio agravar as dificuldades citadas. 
Culturalmente, o reinado de D. João V tem aspectos de muito interesse. O barroco manifesta-se na arquitectura, mobiliário, talha, azulejo e ourivesaria, com grande riqueza. No campo filosófico surge Luís António Verney com o Verdadeiro Método de Estudar e, no campo literário, António José da Silva. É fundada a Real Academia Portuguesa de História e a ópera italiana é introduzida em Portugal.

Bibliografia de José Saramago


"Terra do Pecado"
(Romance) 1947
"Os Poemas Possíveis"
(Poesia) 1966
"Provavelmente Alegria"
(Poesia) 1970
"Deste Mundo e do Outro"
(Crónicas) 1985
"A Bagagem do Viajante"
(Crónicas) 1973
"As Opiniões que o DL teve"
(Crónicas) 1974
"O Ano de 1993"
1987
"Os Apontamentos"
(Crónicas) 1976
"Manual de Pintura e Caligrafia"
(Romance) 1977
"Objecto Quase"
(Conto) 1978
"A Noite"
(Teatro) 1979
"Poética dos Cinco Sentidos (O Ouvido)"
(Ensaio) 1979
"Levantado do Chão"
(Romance) 1980
"Que farei com Este Livro?"
(Teatro) 1980
"Viagem a Portugal"
(Viagens) 1980
"Memorial do Convento"
(Romance) 1982
"O Ano da Morte de Ricardo Reis"
(Romance) 1986
"A Jangada de Pedra"
(Romance) 1986
"A Segunda Vida de Francisco de Assis"
(Teatro) 1987
"História do Cerco de Lisboa"
(Romance) 1989
"O Evangelho Segundo Jesus Cristo"
(Romance) 1991
"In Nomine Dei"
(Teatro) 1993
"Ensaio Sobre a Cegueira"
(Romance) 1995
"Cadernos de Lanzarote (1993-1995)"
(Diário) 1997
"Cadernos de Lanzarote I"
(Diário) 1994
"Cadernos de Lanzarote II"
(Diário) 1995
"Cadernos de Lanzarote III"
(Diário) 1996
"Todos os Nomes"
(Romance) 1997
"Cadernos de Lanzarote IV"
(Diário) 1998
"Cadernos de Lanzarote V"
(Diário) 1998
"O Conto da Ilha Desconhecida"
1998
"A Estátua e a Pedra"
(Texto de encerramento de um convénio na Universidade de Turim, "Diálogos sobre a Cultura Portuguesa. Literatura-Música-História")
"Discursos de Estocolmo"
1999
"Folhas Políticas (1976-1998)"
1999
"A Caverna"
(Romance) 2000
"A Maior Flor do Mundo"
(Conto) 2001
"O Homem Duplicado"
(Romance) 2002
"Ensaio Sobre a Lucidez"
(Romance) 2004
"Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido"
(Teatro) 2005
"Poesia Completa"
(Poesia) 2005
"As Intermitências da Morte"
(Romance) 2005
"As Pequenas Memórias"
2006
"A Viagem do Elefante"
(Romance) 2008
"O Caderno"
(Textos escritos para o blogue. Setembro de 2008 a Março de 2009) 2009
"Caim"
(Romance) 2009
"O Caderno 2"
(Textos escritos para o blogue. Abril de 2008 a Novembro de 2009) 2009

Prémio Nobel: Discurso de José Saramago

"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo."

Módulo 12

Textos Narrativos e Descritivos

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Estado novo e a Censura


Com o tema da censura a ser suscitado por aí, falemos do tempo em que ela existia.

A censura, no tempo do Estado Novo, era uma atividade que o regime tinha colocado nas mãos dos militares. Em Lisboa, eram famosos os "coronéis" que, dia-a-dia, se dedicavam a assinalar, a lápis azul, aquilo que, nos textos da imprensa, entendiam como podendo ofender os seus mestres ou os costumes oficialmente protegidos.

Na província, a "Comissão de Censura" (depois, com Marcelo Caetano, passou ao eufemismo de "Exame Prévio") tinha também os seus militares. Em Vila Real, era o  velho capitão Medeiros.

No final dos anos 60, já na universidade, comecei a publicar alguns artigos em "A Voz de Trás-os-Montes", um jornal local ligado à diocese, que ainda existe. Iniciei-me na escrita desportiva mas, na "primavera marcelista", ousei entrar pela política interna. Os textos eram muito rebuscados, cheios de duplas leituras, só acessíveis a alguns "happy few", um pouco à moda do que então lia no "Diário de Lisboa", no "República" ou na "Seara Nova". Agora, ao revê-los, fica patente a sua total inocuidade, garantida pelo reduzidíssimo número de potenciais leitores, afastados pelo caráter quase impenetrável da escrita. 
 
Por uma ou duas vezes, o capitão Medeiros ironizou com o meu Pai sobre as minhas "ideias avançadas", expressão para designar tendências esquerdistas que pressentia nas entrelinhas. Ao diretor do jornal, o padre Henrique Maria dos Santos, o nosso censor local passou também algumas mensagens de aviso, no sentido de eu me "deixar de espertezas". Lá fui, contudo, continuando a escrever, com algum cuidado mas sempre sem grandes obstáculos. Aliás, o capitão Medeiros deve ter ficado menos preocupado quando, a partir de certa altura, passei a dedicar-me apenas a temas de política internacional. Até um dia!

O tema era a Rodésia e eu analisava os problemas entre o Reino Unido e o independentismo branco de Ian Smith, bem como as polémicas entre a ZAPU e a ZANU. O texto era algo hermético, com muitos e dispensáveis detalhes, que eu tinha bebido na imprensa internacional. (Com os diabos! Só temos 20 anos uma vez!)

Uma tarde, o capitão Medeiros encontrou o meu Pai na rua Direita, esse eixo de Vila Real, e deu-lhe os parabéns: "Parece que o seu filho está a entrar no bom caminho! Escreveu um bom artigo sobre a Rodésia!". O meu Pai, que ainda não tinha lido o texto, conhecendo-me bem, estranhou, mas agradeceu o elogio.
 
Dias depois, o diretor do jornal, à porta da Gomes (essa pastelaria mítica da cidade), disse-me: "O capitão Medeiros está furioso. Afirma que você o enganou com o texto sobre a Rodésia. Levou uma advertência dos serviços centrais da censura, em Lisboa. Já me disse que, por este caminho, não o deixa publicar mais nada".

O que acontecera? O pobre do capitão Medeiros deixara-se "enrolar" nas minhas considerações e, em especial, permitira a última e fatal frase que eu incluíra no texto: "Ou muito me engano ou a Rodésia tem à sua frente um futuro negro". 

A quatro décadas de distância, eu estava longe de imaginar que, por detrás da procurada ambiguidade da minha frase, acabaria por residir uma triste e insuspeitada presciência...

Elementos simbólicos


felizmente há luar - Elementos simbólicos

Saia verde: A saia associa-se à felicidade e foi comprada numa terra de liberdade: Paris. No Inverno, com o dinheiro da venda de duas medalhas. "alegria no reencontro"; a saia é uma peça eminentemente feminina e o verde encontra-se destinado à esperança de que um dia se reponha a justiça. O verde é a cor predominante na natureza e dos campos na Primavera, associando-se à força, à fertilidade e à esperança.

A luz - como metáfora do conhecimento dos valores do futuro (igualdade, fraternidade e liberdade), que possibilita o progresso do mundo, vencendo a escuridão da noite (opressão, falta de liberdade e de esclarecimento), advém quer da fogueira quer do luar. Ambas são a certeza de que o bem e a justiça triunfarão, não obstante todo o sofrimento inerente a eles. Se a luz se encontra associada à vida, à saúde e à felicidade. A luz representa a esperança num momento trágico.

Noite - Simboliza a escuridão, a morte, a tristeza,

 O fogo - É um elemento destruidor e ao mesmo tempo purificador e regenerador, sendo a purificação pela água complementada pela do fogo. Se no presente a fogueira se relaciona com a tristeza e escuridão, no futuro relacionar-se-á com esperança e liberdade.

Moeda de cinco reis - Símbolo do desrespeito que os mais poderosos mantinham para com o próximo, contrariando os mandamentos de Deus.

 Tambores – representa a presao, o medo, que existia nesse tempo quando chegava a policia.

Características das personagens


Felizmente Há Luar!  - Caracterização das personagens

D. Miguel Forjaz
Prepotente; autoritário; servil (porque se rebaixa aos outros); deixou-se corromper pelo
poder.
“Não sou, e nunca serei, popular. Quem o for é meu inimigo pessoal.”
Simboliza a decadência do país que governa;
 A hipocrisia e a mesquinhez são as suas principais características;
 Enquanto governador de Lisboa, representa o espírito decrépito e caduco que impede
a evolução do país e condiciona a sua existência enquanto nação.

Principal Sousa
Defende o obscurantismo do povo para que os tiranos governem livremente;
Deformado pelo fanatismo religioso; 
Desonesto;
Representante do poder eclesiástico.

Beresford
 Cinismo em relação aos portugueses, a Portugal e à sua situação;
Trocista e mordaz, despreza o país onde é obrigado a viver;
Oportunista; autoritário; é bom militar; 
 Preocupa-se somente com a sua carreira e com dinheiro; 
Ainda consegue ser minimamente franco e honesto, pois tem a coragem de dizer o
que realmente quer, ao contrário dos 2 governadores portugueses;
Odeia Gomes Freire, não porque o afronte enquanto oficial, mas porque o incomoda
enquanto herói do povo.

Vicente
Traidor para ser promovido;
Acaba por ser um delator que age dessa maneira porque está revoltado com a sua
condição social (só desse modo pode ascender socialmente);
Representa a hipocrisia e o oportunismo daqueles que não olham a meios para atingir
os seus fins;
Reveste-se de um falso humanismo e de uma solidariedade duvidosa, para fomentar
a ira popular contra Gomes Freire.

Manuel
O mais consciente dos populares; 
É corajoso;
 Representa, metaforicamente, o povo português. Coexistindo com a miséria e a fome,
protagoniza a consciência de um povo vilipendiado pela opressão, manifestamente
impotente para alterar o seu destino.

Sousa Falcão
Representa a amizade e a fidelidade;
 É o único amigo de Gomes Freire de Andrade que aparece na peça; 
 Ele representa os poucos amigos que são capazes de lutar por uma causa e por um
amigo nos momentos difíceis;
Representa a impotência perante o despotismo dos governadores.

Frei Diogo Melo
‚ Homem sério; 
‚ Representante do clero; 
‚ Honesto – é o contraposto do Principal Sousa.

Matilde de Melo
 Representa uma denúncia da hipocrisia do mundo e dos interesses que se instalam
em volta do poder (faceta/discurso social);
 Por outro lado, apresenta-se como mulher dedicada de Gomes Freire, que, numa
situação crítica como esta, tem discursos tanto marcados pelo amor, como pelo ódio;
Carácter forte; corajosa perante a vilania;
‚ Recusa a hipocrisia e odeia a injustiça e o materialismo.
Gomes Freire de Andrade 
‚ Personagem virtual;
‚ Defensor do povo oprimido; 
‚ O herói (no entanto, ele acaba como o anti-herói, o herói falhado); 
‚ Símbolo de esperança de liberdade.
Representa, simbolicamente, a integridade e a recusa da subserviência, a sua
capacidade de liderança e os exemplos de coragem na defesa dos seus ideais
remetem para o Portugal do passado, para o período áureo da Nação, que assumia
convictamente a justiça da sua identidade e a veracidade da sua luta pela liberdade.

Populares 
Representantes do povo oprimido, sobre o qual era exercida a violência, funcionam
como coro. As suas falas denunciam a pobreza e a ironia é a sua arma.